A perda de desejo sexual raramente acontece de um dia para o outro. Às vezes, você percebe que a vontade diminuiu aos poucos; em outras, ela parece simplesmente desaparecer. E então, você começa a se perguntar se o problema é o seu relacionamento, se é o estresse acumulado. Ou será que há algo errado com …
A perda de desejo sexual raramente acontece de um dia para o outro. Às vezes, você percebe que a vontade diminuiu aos poucos; em outras, ela parece simplesmente desaparecer. E então, você começa a se perguntar se o problema é o seu relacionamento, se é o estresse acumulado. Ou será que há algo errado com você?.
O que pouca gente comenta é que essa situação é mais comum do que se imagina. Pesquisas internacionais mostram que cerca de 43% das mulheres e 31% dos homens já enfrentaram algum tipo de disfunção sexual, e a queda do desejo está entre as queixas mais frequentes. Mesmo assim, muitas pessoas evitam falar sobre o assunto, por vergonha ou medo de serem julgadas, o que, infelizmente, adia a busca por soluções.
O desejo sexual é resultado de uma combinação delicada entre corpo, mente, emoções e contexto de vida. Quando um desses elementos se desequilibra — seja por problemas de saúde, pressões do dia a dia, conflitos de relacionamento ou questões emocionais mais profundas — é natural que o interesse pela intimidade seja afetado. Isso não significa que algo esteja errado com você, mas pode ser importante investigar mais à fundo.
Foi pensando na quantidade imensa de pessoas sofrendo com um problema tão pouco falado que decidi trazer este conteúdo hoje.
Vamos conversar um pouco sobre as causas mais comuns da perda de desejo sexual, os sinais que merecem atenção e os caminhos possíveis para recuperar não só o interesse sexual, mas também a confiança e o prazer na sua vida íntima.
Sumário
ToggleO que é a perda de desejo sexual e quando ela se torna preocupante?
Falar em perda de desejo sexual não é apenas sobre “não ter vontade” de ter relações. Trata-se de uma mudança consistente na forma como você se conecta com sua própria sexualidade — algo que pode envolver menos pensamentos eróticos, menos iniciativa para a intimidade ou até indiferença diante de estímulos que antes despertavam interesse.
É normal que o desejo varie ao longo da vida. Alterações hormonais, fases de estresse, cansaço físico ou momentos de transição — como pós-parto ou luto — podem fazer com que o interesse diminua temporariamente. O sinal de alerta vem quando essa baixa se mantém por mais de alguns meses e começa a afetar seu bem-estar ou seu relacionamento.
Clinicamente, muitos especialistas consideram que a persistência por seis meses ou mais, associada a sofrimento pessoal ou impacto na relação, já merece investigação.
Reconhecer quando essa mudança deixa de ser passageira é importante, porque quanto antes você buscar ajuda, maiores as chances de entender a causa e encontrar um tratamento eficaz.
Entendendo a diferença entre baixa de desejo ocasional e persistente
Ter períodos em que o desejo diminui é algo que acontece com qualquer pessoa. Mudanças na rotina, preocupações financeiras, fases de trabalho intenso ou até alterações hormonais temporárias podem fazer com que a intimidade fique em segundo plano.
Nesses casos, o interesse costuma voltar quando a situação se estabiliza, seja depois de descansar, de retomar hábitos saudáveis ou de resolver problemas específicos.
Já a baixa de desejo persistente é diferente. Ela não se resolve sozinha e se mantém por meses, às vezes anos, independentemente de mudanças externas. Muitas vezes, não há um único motivo claro: existe um conjunto de fatores físicos, emocionais e relacionais atuando ao mesmo tempo.
É justamente esse quadro prolongado que pode indicar a presença de um transtorno do desejo sexual e precisa ser investigado.
Os sinais variam de pessoa para pessoa, mas existem alguns pontos comuns que ajudam a identificar o problema:
- Diminuição ou ausência de pensamentos e fantasias sexuais ao longo do dia.
- Falta de iniciativa para buscar intimidade, mesmo em contextos agradáveis com o parceiro.
- Indiferença diante de estímulos que antes despertavam excitação, como toques, beijos ou conversas mais sugestivas.
- Evitar situações íntimas para não ter que lidar com a relação sexual.
- Sentimento de frustração ou preocupação com a própria falta de interesse, que pode se estender para outras áreas da vida.
A perda de libido é um sintoma, e como qualquer outro, merece ser compreendido e tratado. Se você sente que esses sinais batem com o que você vem sentindo, não deixe que o medo te impeça de viver uma vida mais completa.
Quais são as principais causas da perda de desejo sexual?
Sendo sincera, a perda de desejo sexual raramente tem uma única explicação. Na maioria das vezes, é o resultado de vários fatores que se somam, alguns ligados ao corpo, outros às emoções, ao relacionamento ou até ao contexto social em que vivemos.
Pesquisas mostram que, para grande parte das pessoas, a queda do desejo surge justamente dessa combinação: um fator físico que desencadeia insegurança emocional, ou um problema de relacionamento que aumenta o estresse, por exemplo.
É por isso que compreender as causas é tão importante. Quando sabemos de onde vem o problema, fica mais fácil agir de forma direcionada — seja ajustando um tratamento, mudando hábitos ou cuidando da saúde mental.
Vamos explorar os principais grupos de fatores que podem levar à perda de desejo sexual e como cada um deles interfere no interesse pela intimidade.
Fatores físicos e hormonais
O corpo tem um papel fundamental no desejo sexual. Alterações em funções fisiológicas ou nos níveis hormonais podem reduzir o interesse por intimidade, mesmo quando a pessoa está emocionalmente bem. Entre os hormônios mais envolvidos estão a testosterona — presente em homens e mulheres —, o estrogênio e a progesterona, que influenciam diretamente a resposta sexual e a sensação de prazer.
Nos casos de perda da libido masculina, a queda de testosterona pode explicar o problema. Ela começa a acontecer de forma gradual a partir dos 40 anos ou pode ser consequência de condições como o hipogonadismo.
Nas mulheres, o climatério e a menopausa reduzem a produção de estrogênio e testosterona, o que pode levar não apenas à perda de desejo sexual, mas também a sintomas como ressecamento vaginal e desconforto durante a relação.
Além das questões hormonais, doenças crônicas como:
- Diabetes
- Hipotireoidismo
- Obesidade
- Hipertensão
Podem afetar a circulação, a energia e até a sensibilidade física, interferindo no interesse sexual. Medicamentos de uso contínuo também merecem atenção: alguns antidepressivos, ansiolíticos, anticoncepcionais hormonais e remédios para pressão arterial estão entre os mais associados à queda do desejo sexual.
Nesses casos, o ideal é marcar uma consulta para identificar o que pode ser ajustado, seja o tratamento da doença de base, a reposição hormonal quando indicada ou a substituição de um medicamento que esteja afetando a libido.
Fatores psicológicos e emocionais
O estado emocional tem impacto direto sobre o desejo sexual — e, para muitas pessoas, é justamente aqui que está a principal causa da perda de interesse.
O estresse crônico, por exemplo, aumenta os níveis de cortisol, um hormônio que prepara o corpo para lidar com ameaças, mas que, quando elevado por muito tempo, inibe a resposta sexual. É como se o organismo entendesse que não é hora de investir energia em prazer quando precisa “sobreviver” a pressões constantes.
Ansiedade também está entre os fatores mais comuns. Ela pode surgir ligada ao desempenho sexual (“Será que vou corresponder às expectativas?”) ou a outros aspectos da vida, mas o efeito é parecido: a mente fica ocupada demais para entrar no clima e aproveitar o momento. A preocupação excessiva impede o relaxamento, que é essencial para a excitação.
Já a depressão interfere no desejo de forma ainda mais ampla. Além de diminuir o interesse por atividades que antes davam prazer — um fenômeno chamado anedonia —, a depressão pode alterar o equilíbrio de neurotransmissores ligados à motivação sexual, como a dopamina e a serotonina. O mesmo vale para o burnout, que drena a energia física e mental, deixando pouco espaço para o interesse sexual.
Baixa autoestima, insegurança com o próprio corpo e traumas emocionais, especialmente os de natureza sexual, também podem criar barreiras internas para o desejo. Em todos esses casos, buscar acompanhamento não só ajuda a tratar a causa, como também pode abrir caminho para recuperar a conexão com a própria sexualidade.
Fatores relacionais
O desejo sexual se alimenta da qualidade da conexão com o parceiro ou parceira. Quando essa conexão está fragilizada, é natural que o interesse diminua. Conflitos não resolvidos, discussões frequentes, ressentimentos acumulados e falta de diálogo sobre a vida íntima podem criar uma barreira invisível entre o casal, transformando o sexo em algo distante ou até evitado.
A falta de intimidade emocional também pesa. Para muitas pessoas, sentir-se valorizado, ouvido e cuidado no dia a dia é fundamental para que o desejo apareça. Quando o relacionamento entra no modo automático — com pouca troca de carinho fora da cama —, a relação física pode se tornar mecânica, perdendo a espontaneidade.
Outro ponto é a rotina previsível na vida sexual. A repetição constante das mesmas práticas, sem espaço para novidades, pode gerar desinteresse. Não se trata de “performar” ou buscar inovações o tempo todo, mas de manter viva a curiosidade e a sensação de descoberta mútua.
Trabalhar a comunicação e reservar tempo para momentos de qualidade juntos — sem distrações, cobranças ou pressa — pode ajudar a reconstruir a base emocional que sustenta o desejo.
Fatores socioculturais
Nossa relação com a sexualidade não é moldada apenas pelo corpo e pelas emoções, ela também carrega o peso das crenças e dos valores do meio em que crescemos.
Em muitas famílias e culturas, o sexo ainda é tratado como tabu, algo sobre o qual não se fala ou que é cercado por regras rígidas. Quando desde cedo aprendemos a associar desejo a culpa, vergonha ou “imoralidade”, é comum levar esses bloqueios para a vida adulta, mesmo que de forma inconsciente.
As expectativas de gênero também influenciam. Ainda existe a ideia, reforçada por padrões culturais, de que o homem deve ter apetite sexual constante, enquanto a mulher deve ser mais contida. Esses estereótipos criam pressão de desempenho para ambos e podem gerar ansiedade, frustração e, ironicamente, redução do desejo.
A sobrecarga de papéis é outro ponto importante. Muitas mulheres acumulam jornada dupla ou tripla entre trabalho, casa e cuidados com a família, e chegam ao fim do dia sem energia para qualquer atividade íntima. Homens também podem viver essa exaustão, especialmente quando enfrentam longas horas de trabalho e responsabilidades familiares.
Além disso, o ritmo acelerado de vida, a hiperconexão e a comparação constante com padrões irreais nas redes sociais podem abalar a autoestima e aumentar a autocrítica, minando a disposição para se entregar ao prazer.
Reconhecer essas influências externas é fundamental para entender que, muitas vezes, a perda de desejo sexual não nasce apenas de questões internas, mas também do ambiente que nos cerca.
Como funciona o diagnóstico e qual profissional procurar para tratar a perda de desejo sexual?
Identificar por que o desejo sexual diminuiu é um processo que exige olhar para o corpo, para a mente e para a vida como um todo.
É por existir tantas causas possíveis que o diagnóstico não se resume a exames: ele também envolve ouvir como você está se sentindo, quais mudanças percebeu e de que forma isso impacta sua rotina e seus relacionamentos.
O caminho para essa investigação pode começar com diferentes especialistas, e a escolha de por onde iniciar costuma depender dos sintomas que acompanham a perda de desejo.
Em alguns casos, vale começar pela avaliação física e hormonal; em outros, pela saúde mental. O importante é que, independentemente do ponto de partida, o cuidado seja feito de forma integrada, para que nenhum aspecto relevante fique de fora.
Quando procurar ginecologistas ou urologistas?
Para muitas pessoas, a investigação da perda de desejo sexual começa no consultório do ginecologista (no caso das mulheres) ou do urologista (no caso dos homens). Esses especialistas são fundamentais para avaliar aspectos físicos e hormonais que podem estar influenciando o interesse sexual.
No atendimento, o médico pode solicitar exames para verificar níveis de hormônios como testosterona, estrogênio, progesterona e hormônios da tireoide, além de investigar condições que afetam a função sexual, como ressecamento vaginal, dor durante a relação, disfunção erétil ou ejaculação precoce/retardada. Também é o momento de revisar o uso de medicamentos que podem impactar o desejo, como anticoncepcionais hormonais, antidepressivos ou remédios para pressão arterial.
Quando a causa física é identificada, esses profissionais podem indicar tratamentos específicos, como a terapia de reposição hormonal em casos selecionados, uso de lubrificantes e hidratantes vaginais ou medicações para melhorar a função erétil.
Avaliação com endocrinologista para investigar causas hormonais da perda de desejo sexual
Talvez esse não seja o primeiro profissional que você pensou, mas ele é essencial para o tratamento.
O endocrinologista é o especialista indicado quando há suspeita de que a perda de desejo sexual esteja ligada a alterações hormonais mais complexas ou doenças endócrinas. Ele avalia de forma detalhada o funcionamento das glândulas que produzem hormônios fundamentais para o desejo e a função sexual, como as gônadas (ovários e testículos), a tireoide, a hipófise e as adrenais.
Condições como:
- Hipotireoidismo
- Hipertireoidismo
- Hipogonadismo (baixa produção de hormônios sexuais)
- Síndrome dos ovários policísticos
- Alterações nos níveis de prolactina
Podem reduzir o interesse sexual e, em alguns casos, causar outros sintomas associados, como fadiga, mudanças de humor e alterações no ciclo menstrual ou na função erétil.
Além de solicitar exames laboratoriais e de imagem para confirmar o diagnóstico, o endocrinologista é quem define tratamentos hormonais mais específicos, seja para corrigir deficiências, ajustar doses ou tratar a doença de base.
Esse acompanhamento é essencial quando a perda de desejo sexual é parte de um quadro maior de desequilíbrio hormonal, pois tratar apenas o sintoma, sem corrigir a causa, raramente traz resultados duradouros.
A avaliação psiquiátrica para identificar causas emocionais
Nós, psiquiatras, somos os profissionais mais indicados quando existe suspeita de que a perda de desejo sexual esteja relacionada a questões emocionais, transtornos mentais ou efeitos colaterais de medicações que afetam a libido.
Além de investigar sintomas de depressão, ansiedade, burnout e traumas, avaliamos se medicamentos já em uso — como antidepressivos, ansiolíticos ou estabilizadores de humor — podem estar contribuindo para a queda do desejo.
Essa análise é importante porque muitos remédios eficazes para saúde mental podem impactar a função sexual, e existem alternativas para reduzir esse efeito. Podemos ajustar doses, trocar a medicação por outra com menor impacto sobre a libido ou incluir medicamentos que contrabalançam essa redução.
Além disso, o acompanhamento ajuda a compreender como os fatores mentais interagem com o corpo e o relacionamento, e pode trabalhar em conjunto com psicólogos, ginecologistas, urologistas e endocrinologistas para uma abordagem integrada.
Conheça estratégias e tratamentos para recuperar o desejo sexual
Depois de identificar o que está causando a perda de desejo sexual, é hora de agir. E, para isso, não existe um único caminho: as opções variam de acordo com o que foi encontrado na avaliação médica e psicológica.
Podem entrar em cena desde ajustes hormonais e mudanças de medicação até psicoterapia, terapia sexual, práticas para reduzir o estresse e intervenções específicas para melhorar a intimidade no relacionamento. Em alguns casos, combinar mais de uma abordagem é o que traz resultados mais consistentes.
O que fazer quando se perde o desejo sexual?
Quando a perda de desejo sexual já foi identificada, o tratamento começa com ações que atuam tanto nas causas físicas quanto nas emocionais. Algumas medidas podem ser iniciadas de imediato e outras precisam do acompanhamento de um profissional.
Revisar tratamentos e medicações atuais
Como conversamos, alguns medicamentos podem reduzir o desejo sexual, então conversar com o seu médico sobre ajustes de dose ou alternativas com menor impacto na libido pode ser um passo decisivo.
Tratar condições físicas e hormonais
Desequilíbrios hormonais, como queda de testosterona ou alterações na tireoide, precisam ser corrigidos para que o desejo retorne. Isso pode envolver reposição hormonal, tratamento de doenças crônicas ou controle de sintomas como dor ou ressecamento vaginal.
Cuidar da saúde mental
Depressão, ansiedade e burnout têm forte impacto no desejo. Psicoterapia, terapia sexual e, quando necessário, tratamento medicamentoso são fundamentais para reverter esse quadro.
Reduzir o estresse e melhorar o estilo de vida
Sono adequado, prática regular de exercícios, alimentação equilibrada e momentos de lazer ajudam a recuperar energia e disposição para a intimidade. Técnicas de relaxamento, como meditação e respiração profunda, também favorecem a resposta sexual.
Investir na qualidade da relação
Abrir espaço para conversas honestas sobre expectativas, inseguranças e fantasias pode fortalecer a conexão emocional e criar um ambiente mais favorável para o desejo. Pequenas mudanças — como variar as dinâmicas de intimidade e dedicar tempo para momentos a dois sem pressa — fazem muita diferença.
Mais do que seguir uma lista de ações, o ideal é que cada medida seja adaptada à realidade de quem está vivendo o problema, garantindo que o tratamento seja realista, seguro e sustentável.
Hábitos e mudanças de estilo de vida que favorecem o desejo sexual
Mesmo quando a perda de desejo sexual tem causas médicas ou emocionais, o modo como cuidamos do corpo e da mente no dia a dia influencia diretamente a recuperação. Pequenos ajustes na rotina podem potencializar os efeitos de outros tratamentos e criar um terreno mais favorável para o retorno do interesse sexual.
Atividade física regular
Melhora a circulação sanguínea, aumenta a energia e libera endorfinas, que elevam o humor e a disposição. Sono de qualidade é igualmente essencial, já que noites mal dormidas afetam a produção hormonal e reduzem a capacidade de relaxar.
Alimentação saudável
Também tem seu papel: uma dieta equilibrada, rica em nutrientes, ajuda na saúde hormonal e na disposição geral. Reduzir o consumo de álcool e evitar o tabagismo previne efeitos negativos sobre a função sexual e a vitalidade.
Momentos de lazer e prazer fora da rotina sexual
Eles ajudam a reduzir a pressão em torno do tema e a reconectar-se com o próprio corpo de forma mais leve. Caminhadas ao ar livre, hobbies, atividades criativas e momentos de relaxamento profundo contribuem para diminuir o estresse, um dos principais vilões do desejo.
Esclarecendo os mitos mais comuns sobre a perda de desejo sexual
A perda de desejo sexual ainda é cercada por crenças e interpretações equivocadas que, muitas vezes, aumentam a culpa e atrasam a busca por ajuda. Ideias como “é normal não sentir vontade depois de certa idade” ou “se não tenho desejo é porque não amo meu parceiro” podem até parecer inofensivas, mas acabam criando barreiras emocionais e dificultando o tratamento.
Separar mito de realidade é fundamental para lidar com a situação sem julgamentos, entendendo que o desejo é algo vivo, que muda ao longo do tempo e que pode ser influenciado por inúmeros fatores.
Falta de desejo significa falta de amor?
Esse é um dos mais persistentes quando o assunto é perda de desejo sexual. A ausência de vontade não significa automaticamente que o amor acabou ou que a atração pelo parceiro desapareceu.
O desejo sexual é influenciado por inúmeros fatores, muitos deles independentes do sentimento que se tem pelo outro. É comum encontrar casais que se amam profundamente, mas atravessam períodos em que a vida sexual fica em segundo plano por conta de fases mais exigentes — como chegada de filhos, sobrecarga profissional ou tratamentos de saúde.
Nessas situações, o foco não deve estar em questionar o amor, mas sim em entender e cuidar das causas que estão influenciando o desejo.
A perda de desejo sexual é inevitável com a idade?
Muita gente acredita que quando ficamos velhinhos perdemos o interesse sexual. Embora seja verdade que mudanças hormonais e físicas ocorram ao longo dos anos — como a queda de testosterona nos homens e a menopausa nas mulheres —, isso não significa que a perda de desejo sexual seja uma sentença para todos.
O que realmente acontece é que o desejo pode se transformar. Em vez de desaparecer, ele pode se expressar de outras maneiras, com mais foco na qualidade do encontro íntimo do que na frequência.
Além disso, quando há queda significativa do desejo e ela causa incômodo, é possível buscar tratamento. Reposição hormonal, ajustes no estilo de vida, fortalecimento da intimidade no relacionamento e cuidados com a saúde física e mental podem manter a vida sexual ativa e satisfatória por décadas.
Em outras palavras: envelhecer não precisa significar abrir mão do prazer. Com atenção aos sinais do corpo e apoio profissional, é possível viver uma sexualidade saudável e prazerosa em qualquer fase da vida.
Existe solução rápida ou pílula mágica para o desejo?
A ideia de que existe um recurso instantâneo para resolver a perda de desejo sexual é tentadora, mas não corresponde à realidade. Embora existam medicamentos e suplementos que prometem aumentar a libido, eles só funcionam em casos muito específicos — e, mesmo assim, precisam ser indicados e acompanhados por um médico.
Terapias hormonais, por exemplo, podem ser eficazes quando há deficiência comprovada de testosterona, estrogênio ou progesterona, mas não trazem resultados significativos se o problema estiver relacionado a fatores emocionais, conflitos no relacionamento ou altos níveis de estresse.
O mesmo vale para substâncias vendidas como “afrodisíacos naturais”: os efeitos, quando existem, costumam ser leves e variam muito de pessoa para pessoa.
O desejo sexual é resultado de uma interação complexa entre corpo, mente, emoções e contexto de vida. Por isso, o tratamento mais eficaz raramente é único ou imediato — ele combina ajustes físicos, cuidados emocionais e, muitas vezes, mudanças no relacionamento.
Essa abordagem personalizada pode não ter o efeito “relâmpago” de uma pílula, mas é a que vai te trazer mais resultados.
Pronto(a) para entender e tratar a perda de desejo sexual?
A perda de desejo sexual é um tema cercado de silêncio, mas que faz parte da vida de milhões de pessoas. Nós vimos que ela pode ter múltiplas causas e que identificar de onde vem o problema é essencial para encontrar a solução.
O desejo não é um botão que se liga e desliga, mas um reflexo do equilíbrio entre corpo, mente e contexto de vida. E é justamente por isso que o tratamento precisa ser individualizado: o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.
Não existe “fórmula pronta”, mas existem caminhos seguros e baseados em evidências que podem devolver a motivação, o prazer e a confiança.
Se você se reconheceu nos sinais que descrevi, agende uma consulta. No meu consultório, trabalhamos com uma abordagem integrada — avaliando todos os fatores envolvidos, definindo estratégias personalizadas e acompanhando cada etapa do processo.
O desejo sexual pode ser reconstruído, e o cuidado que você dedica a si mesmo(a) hoje é o que vai te permitir viver relações mais saudáveis e satisfatórias amanhã.
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