Ansiedade dá dor no peito? Entenda quando você deve se preocupar

Você já sentiu uma dor no peito repentina, com o coração acelerado e a respiração difícil? Essa experiência é assustadora e, acredite, ansiedade dá dor no peito com uma frequência muito maior do que se imagina.  É bastante comum que você pense inicialmente que está tendo um infarto. A preocupação é completamente genuína, e os …

Ansiedade pode causar dor no peito com sintomas parecidos aos de problemas cardíacos

Você já sentiu uma dor no peito repentina, com o coração acelerado e a respiração difícil? Essa experiência é assustadora e, acredite, ansiedade dá dor no peito com uma frequência muito maior do que se imagina. 

É bastante comum que você pense inicialmente que está tendo um infarto. A preocupação é completamente genuína, e os sintomas podem ser tão intensos que muitos buscam a emergência médica, mesmo sem um problema cardíaco. 

Para ter uma ideia, um estudo revelou que, entre pacientes com dor torácica que apresentavam baixo risco para doenças do coração, 42% tinham um quadro de ansiedade grave

Isso mostra o quanto a ansiedade pode imitar sintomas cardíacos e a importância de entender essa relação para saber como agir. E é sobre isso que iremos conversar hoje.

Ansiedade causa dor no peito mesmo?

Sim, a ansiedade pode, e muitas vezes causa, dor no peito. E essa dor não é uma invenção ou uma “impressão”; ela é absolutamente real e pode ser bastante intensa, mesmo que seu coração esteja perfeitamente saudável. 

É uma manifestação física do estresse emocional. Por isso, a primeira e mais importante orientação é: toda dor no peito merece sua atenção. Se você está sentindo esse sintoma pela primeira vez, ou se ele vem acompanhado de sinais de alerta incomuns, procure ajuda médica imediatamente.

A dor no peito está entre as queixas mais comuns que levam as pessoas aos prontos-socorros, isso, obviamente, porque o coração é um órgão vital, e qualquer sinal de que ele não está bem gera um medo enorme, que é totalmente justificado. 

Ninguém quer correr o risco de ignorar um infarto. Mesmo que, muitas vezes, a causa não seja cardíaca, sua decisão de buscar ajuda é correta e reflete um cuidado essencial com sua vida.

A ansiedade entra no quadro com mais frequência do que as pessoas imaginam

Após uma avaliação médica inicial, quando os exames indicam que não há sinais de um problema cardíaco grave – o que chamamos de baixo risco cardíaco –, a ansiedade se torna uma explicação muito frequente para a dor no peito.

Até cerca de um terço desses pacientes pode ter a ansiedade como principal fator para a dor. No entanto, essa conclusão só é feita depois que todas as causas cardíacas urgentes são descartadas

É um protocolo médico de segurança: primeiro, eliminamos as ameaças à vida; só então, investigamos outras origens para o sintoma.

Como é a dor no peito de ansiedade?

A dor no peito causada pela ansiedade costuma ter formas de manifestação bem particulares:

  • Pontada aguda: Muitas vezes, você sente como uma pontada aguda e localizada no centro do peito, que aparece e desaparece rapidamente.
  • Aperto ou sufocamento: Pode ser uma sensação de aperto intenso, como um “bolo” na garganta que desce para o peito, ou uma sensação de pressão que o impede de respirar fundo.
  • Dor difusa e vaga: Às vezes, é um desconforto mais difuso e difícil de apontar com precisão, espalhado pela região torácica.

Pense em como você descreveria: “Sinto uma pontada aqui no meio do peito”, “É um aperto que me sufoca bem no centro” ou “Tenho uma sensação esquisita no peito que não consigo localizar”. 

Em contrapartida, a dor de um infarto é mais frequentemente descrita como uma pressão forte, peso ou esmagamento

Mas lembre-se: a forma como cada pessoa sente a dor pode ter variações individuais.

A dor de ansiedade irradia para braço, mandíbula ou costas?

Uma das principais diferenças entre a dor de ansiedade e a dor cardíaca está na irradiação. “Irradiar” significa que a dor não fica restrita ao local onde começou, mas se espalha para outras partes do corpo.

  • Na dor de ansiedade, é raro que ela se espalhe para áreas como o braço esquerdo, ombros, pescoço, mandíbula ou costas. Ela costuma ficar localizada na região peitoral.
  • Já na dor cardíaca, a irradiação é frequente para o braço (especialmente o esquerdo), ombros, pescoço, mandíbula ou costas.

Se a dor no seu peito estiver irradiando para alguma dessas áreas, isso é um sinal que exige avaliação médica urgente.

O que costuma aparecer junto quando a dor no peito é causada pela ansiedade?

A dor no peito por ansiedade raramente se manifesta isoladamente. Ela geralmente vem acompanhada de um conjunto de outros sintomas que formam um quadro típico de uma crise de ansiedade ou pânico. Você pode notar:

  • Palpitações: O coração batendo muito rápido e forte, como se fosse saltar do peito.
  • Sudorese: Suor excessivo, muitas vezes frio.
  • Tremores: Nas mãos ou no corpo todo.
  • Falta de ar: Sensação de sufocamento, respiração ofegante e superficial (hiperventilação).
  • Tontura ou vertigem: Sensação de cabeça leve ou de que vai desmaiar.
  • Medo intenso: Uma sensação avassaladora de que algo terrível vai acontecer, medo de perder o controle, ou de que você vai morrer.
  • Sensação de irrealidade: Como se você ou o ambiente estivessem distantes ou não fossem reais.
  • Náuseas leves ou desconforto abdominal.

Esses sintomas costumam surgir juntos, formando um “pacote” que é característico da ansiedade, mostrando que seu corpo está em um estado de “alerta máximo”.

Por que a ansiedade dá dor no peito?

Quando você se sente ansioso, seu cérebro, interpretando isso como uma ameaça, aciona o sistema de “luta ou fuga”. Esse mecanismo de defesa libera rapidamente uma série de hormônios do estresse, principalmente a adrenalina e a cortisona

A adrenalina age como um “acelerador” para o seu corpo, preparando-o para reagir a um perigo. Isso causa um aumento imediato:

  • Na frequência cardíaca (taquicardia): Seu coração bate mais rápido e com mais força.
  • Na pressão arterial: O sangue circula mais rapidamente pelo corpo.

Essa descarga hormonal intensa pode, por si só, gerar uma série de sensações físicas, incluindo o desconforto e a dor no peito.

Além de acelerar seu coração, a adrenalina também provoca uma tensão generalizada nos músculos, inclusive nos da parede torácica. Seus músculos ficam “engatilhados”, preparados para uma ação rápida. Essa tensão muscular pode levar a:

  • Espasmos: Contração involuntária de um músculo, como um “cãibra” interna.
  • Pequenas contrações musculares: Músculos do peito se apertam em resposta ao estresse.

Esses espasmos e essa tensão muscular são os responsáveis diretos pelas sensações de pontada aguda ou de aperto no peito que você sente. A dor é resultado dessa sobrecarga física causada pelo estresse.

Respiração rápida e falta de ar também são sintomas

A liberação de adrenalina altera seu padrão respiratório, ou seja, sua respiração se torna mais rápida e superficial, um fenômeno conhecido como hiperventilação. Essa respiração acelerada pode levar a uma incômoda sensação de falta de ar ou sufocamento, mesmo que seus pulmões estejam funcionando perfeitamente.

Essa falta de ar, por sua vez, alimenta o ciclo do pânico: quanto mais você sente dificuldade para respirar, mais ansioso você fica, e mais rápida sua respiração se torna. Essa sensação pode ser assustadoramente parecida com um problema cardíaco, intensificando seu medo. 

Observe sua respiração durante a crise; ela pode ser uma pista importante e uma ferramenta para você tentar se acalmar.

Sintomas de ansiedade que acompanham dor no peito, como palpitações, falta de ar e medo intenso
A dor no peito por ansiedade costuma vir acompanhada de palpitações, falta de ar, tontura e medo intenso.

Como saber se a dor no peito é ansiedade?

Identificar a origem da dor no peito exige que você observe o padrão dos seus sintomas com atenção. Tenha este roteiro em mente, mas lembre-se: ele é um guia e não substitui a avaliação médica.

Em um ataque de pânico, os sintomas geralmente atingem seu pico de intensidade (o momento mais forte e desconfortável) em poucos minutos. Depois desse auge, a crise tende a diminuir e se resolver em 5 a 20 minutos

Para você, pode parecer uma eternidade porque o medo e a angústia distorcem a percepção do tempo, mas a duração relativamente curta e a melhora gradual são sinais que, frequentemente, apontam para a ansiedade. 

A dor de um infarto, por outro lado, costuma durar muito mais tempo e, geralmente, piora progressivamente.

O que costuma vir junto no pânico e aponta para ansiedade?

Além da dor no peito, a crise de pânico geralmente traz um conjunto de sintomas que, juntos, são fortes indicadores de ansiedade. Fique atento se você experimentar:

  • Medo avassalador de morrer, de perder o controle ou de enlouquecer.
  • Sensação de falta de ar ou sufocamento.
  • Coração acelerado (palpitações) e dor no peito.
  • Tontura ou sensação de desmaio.
  • Tremores e sudorese intensa.
  • Sensações de formigamento ou dormência.
  • Calafrios ou ondas de calor.
  • Náuseas ou desconforto abdominal.

Quando esses sintomas se somam à dor no peito, eles formam um quadro bastante característico da ansiedade, mostrando um padrão de resposta ao estresse.

Nem todo infarto avisa quando vai acontecer

É um fato que nem todos os infartos se manifestam com os sintomas clássicos. Cerca de 45% dos ataques cardíacos podem ser “silenciosos”, sendo descobertos apenas em exames posteriores. Isso significa que você pode estar em risco sem sentir uma dor dramática. 

Trago essa informação não para te assustar, mas para reforçar a importância da prevenção e do acompanhamento médico regular, especialmente se você possui fatores de risco.

Crises de ansiedade podem acontecer enquanto eu durmo?

Um dos aspectos mais perturbadores da ansiedade é que ela pode se manifestar a qualquer momento, inclusive quando você está mais vulnerável. Então, sim, os ataques de pânico podem ocorrer até durante o sono, acordando você abruptamente com todos os sintomas de uma crise, sem um gatilho consciente aparente. 

Isso é especialmente assustador e pode levar você a acreditar que está com uma doença grave, já que o evento parece vir “do nada”. Reconhecer essa possibilidade ajuda a direcionar a investigação para a ansiedade, mas, como sempre, é vital que outras causas sejam descartadas antes.

Se eu acho que é ansiedade, por que ainda assim pode ser importante avaliar?

Mesmo que você suspeite fortemente que sua dor no peito é causada pela ansiedade, a avaliação médica inicial é um passo indispensável. A equipe de emergência precisa ter certeza de que sua vida não está em risco, antes de direcionar a investigação para outras causas.

Quando você procura um pronto-socorro com dor no peito, a primeira e mais crucial etapa da equipe médica é descartar qualquer condição cardíaca grave. Para isso, eles realizam rapidamente:

  • Avaliação clínica detalhada: Conversam com você sobre seus sintomas e histórico.
  • Eletrocardiograma (EKG): Um exame rápido que registra a atividade elétrica do seu coração.
  • Exames laboratoriais: Como a dosagem de enzimas cardíacas, que são liberadas na corrente sanguínea se o músculo do coração sofreu algum dano.

Tudo isso é feito com urgência para garantir que, se houver um problema sério, você receba o tratamento necessário imediatamente. Uma vez que essas ameaças são afastadas, podemos, então, investigar e tratar a ansiedade com muito mais segurança e assertividade.

O “normal” nos exames não invalida sua dor

Um resultado “normal” nos exames que descartam um infarto não significa que sua dor não existe. Pelo contrário! Significa apenas que a origem da sua dor não é cardíaca. 

Em muitos casos de dor torácica de baixo risco, a ansiedade só é considerada a principal causa depois de ter certeza absoluta de que o coração está saudável. Sua dor é real, legítima e merece ser investigada e tratada. O resultado normal dos exames apenas nos direciona para a origem correta, que pode ser a sua saúde mental.

O que fazer na hora quando a dor no peito parece ansiedade?

Comece devolvendo um pouco do controle para você mesmo. Respire fundo e siga estas orientações.

Como mencionei anteriormente, a maioria dos ataques de pânico atinge o pico de intensidade em poucos minutos e geralmente diminui dentro de 5 a 20 minutos. Embora, durante a crise, esse tempo possa parecer uma eternidade, porque o medo e a angústia distorcem completamente a percepção do tempo, saber que a intensidade máxima é passageira pode te dar um ponto de referência. 

Concentre-se em estratégias para atravessar esse intervalo, sabendo que a sensação mais forte vai passar.

A crise assusta, mas não costuma causar dano físico direto

A sensação de “morte iminente” é uma das características mais aterrorizantes de um ataque de pânico. No entanto, por mais assustadores que sejam, os ataques de pânico não costumam ser perigosos e não causam dano físico direto ao seu corpo, como um infarto, especialmente se você tem um coração saudável. 

Eles não são uma ameaça à sua vida. Se você já foi avaliado por um médico e seu coração está bem, pode ficar tranquilo(a). Mas, reforço: se a dor no peito é uma experiência nova ou se há qualquer um dos sinais de alerta que listei anteriormente, procure atendimento médico sem hesitar.

Quando a dor no peito acontece com frequência: o que isso pode estar dizendo sobre sua ansiedade

Se a dor no peito por ansiedade se torna um evento recorrente na sua vida, é um sinal de que seu corpo e sua mente precisam de um plano de cuidado mais estruturado. Tratar a ansiedade de forma eficaz pode reduzir o sofrimento e evitar visitas repetidas e desnecessárias ao pronto-socorro.

A recorrência da dor torácica por ansiedade é, infelizmente, comum. No estudo que mencionei, dois terços dos pacientes relataram episódios semanais ou até diários

Isso mostra que simplesmente “excluir um problema no coração” não resolve o sofrimento persistente de quem sente a ansiedade, literalmente, no peito. Essa repetição impacta significativamente sua rotina, seu trabalho, seu sono e sua vida social, criando um ciclo de medo e evitação.

Para lidar com a dor no peito de ansiedade de forma duradoura, um acompanhamento profissional é essencial. Isso pode envolver:

  • Psicoterapia: Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são muito eficazes para ajudar você a identificar gatilhos, modificar padrões de pensamento negativos e desenvolver estratégias saudáveis de enfrentamento.
  • Medicação: Quando indicada e sob orientação de um psiquiatra, o uso de ansiolíticos (para alívio imediato dos sintomas agudos) e antidepressivos (para tratamento de longo prazo da ansiedade) pode ser crucial para estabilizar o quadro. Lembre-se, a medicação é uma ferramenta valiosa que, usada corretamente e, idealmente, combinada com a terapia, pode trazer grande alívio. E sempre reforço: meu maior objetivo é que você não fique refém das medicações, mas que elas sejam usadas como apoio pelo tempo que for necessário.

A combinação dessas estratégias costuma ser a mais eficaz para reduzir a frequência e a intensidade das crises, permitindo que você retome o controle da sua vida.

Ilustração de crise de ansiedade com dor no peito e sensação de aperto
Durante uma crise de ansiedade, a dor no peito pode surgir como aperto, pontada ou sensação de sufocamento.

Quando a ansiedade dá dor no peito, você não precisa adivinhar sozinho

Espero que este texto tenha te ajudado a esclarecer muitas das suas dúvidas sobre a dor no peito causada pela ansiedade. E se há algo que quero que lembre do que leu aqui, são essas duas informações:

  1. A dor no peito por ansiedade é real e é causada por mecanismos corporais legítimos. Não a subestime, nem a angústia que ela provoca.
  2. Diante de quaisquer sinais de alerta que possam indicar um problema cardíaco, seu caminho é sempre o pronto-socorro. Fora dessas situações de emergência, quando seu coração já foi avaliado e está saudável, o foco se volta para um plano de cuidado para a sua ansiedade.

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Atendo como psiquiatra em Curitiba e também realizo atendimentos remotos, oferecendo o suporte que você precisa para entender e gerenciar a ansiedade, recuperando sua qualidade de vida.

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Dra. Priscila Ruwer (CRM 35812 - PR)

Dra. Priscila Ruwer (CRM 35812 - PR)

Sou médica psiquiatra em Curitiba, formada pela Universidade Federal de Goiás, com residência médica em Psiquiatria e especialização em Atenção Básica pela UFSC. Penso na psiquiatria não só como um conjunto de técnicas da medicina, mas como uma prática centrada na escuta ativa e cuidado individualizado. Atendo em consultório no centro de Curitiba e também realizo consultas online, acompanhando casos de ansiedade, depressão, TDAH, transtornos de humor e outras condições que precisam de atenção especializada. Meu objetivo é construir, junto com você, caminhos para recuperar sua qualidade de vida.

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